Deixar de tomar os comprimidos. Estou farta deles. Eles não me curam de ser maluca, eles fazem-me lembrar que o sou. Amanhã de manhã já eram. É sem eles que me curo.
Acabar a pós-graduação. Tem de ser, senão lá na empresa dão cabo de mim. Não percebem que cada um tem o seu tempo certo, que há males que vêm por bem e que não tem de haver urgência nas coisas. Tenho de parecer mais preocupada com isto.
Voltar a cantar. Não quero dizer para as pessoas, mas para mim. Já não me oiço há muito. Lembro-me que em miúda me tinham inscrito em aulas de piano e eu gostava porque me estimulava o cérebro. Preciso de me voltar a estimular. Seguir para os instrumentos todos se preciso, encher a minha vida de música outra vez.
Aprender uma língua. Ou duas. Ter menos entraves à comunicação, poder falar com mais gente, ou com a mesma gente de uma outra forma. Novas oportunidades são sempre bem vindas.
Praticar desportos. Condiz muito comigo. Correr à beira mar. Por uns momentos esquecer esta moleza e andar de moto 4.
Escrever qualquer coisa sobre a minha área. Para dizer que percebo do assunto e para aprender mais sobre o assunto. Ensinar e aprender, identifico-me muito com essa máxima.
Autoconhecimento. Experimentar, experimentar, experimentar. Entender do que gosto e, também muito importante, do que não gosto. Entender o que mereço, deveres e também direitos. Até agora tenho gostado de tudo, talvez deva ser testada ao limite.
Fazer a primeira viagem da minha vida. Não é a primeira viagem, claro, felizmente já viajei. Mas viajei pouco, fui em corpo, mas ainda não fui para nenhum sítio onde levasse a minha alma, ainda não fiz nenhuma viagem da minha vida. Há que começar, o mundo muda-se aos poucos, tenho tanta gente a que gostava de chegar, hei-de levar-me lá.
Mudar o mundo de alguém. Talvez já seja tarde para mudar o meu, mas tenho uma ânsia enorme por segurar o de outra pessoa. O de uma criança, o de um futuro namorado, o de um futuro ex-criminoso. Sem medo, sempre, pacientemente, liberalmente, sem julgamentos, muito eu.