quarta-feira, outubro 14

Um texto sobre facas e confiança


Não gosto que me toques com facas. Nem com a ponta; nem com a lâmina de lado. Não gosto que me ameaces com facas. Não gosto que me apontes facas. Não gosto que pegues em facas quando falas comigo.
Uma solução seria tirar as facas da gaveta. Morarmos numa casa sem facas. Mas morarmos numa casa sem facas é pedirmos para não ser deste mundo e sempre foi neste mundo que pedi para viver contigo. Que absurdo pedir uma casa sem facas, precisamos delas para cortar a carne e o peixe e barrar manteiga e cortar a pontinha do pacote de leite que não sei sequer abrir à mão. Se prometeres usar as facas só para a carne, o peixe, barrar manteiga e para cortar a ponta do pacote de leite e se eu acreditar, posso viver contigo.
Sei que não poderias comer sem facas e não quero que deixes de comer; mas não me abandones para ficares a lavar facas e toma cuidado para que não me deixes morrer para ti atravessada por uma.
As facas estão na gaveta; eu estou no corredor. Ficar ou não ficar é perguntar se confio na forma como usas as facas.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...