sexta-feira, novembro 21

Reações às tuas palavras

As tuas palavras são uma outra natureza e nessa natureza eu vejo conforto. São árvores, as tuas palavras são árvores e dão frutos e eu colho-os e alimento-me. Trepo as tuas palavras e dos seus ramos eu vejo o melhor o mundo. Ver as tuas palavras é ver sentidos múltiplos e sentir que o complicado é o que descomplica e que nada resolve melhor o problema do que ver a beleza da problematização. Ver a complexidade da tua natureza e aceitá-la com perguntas é atingir um pico intelectual como mais nenhuma pessoa tem palavras para me fazer chegar tão alto. Deito-me na sombra das tuas palavras. Como são belas. Até as palavras mais pequenas são enormes. Mesmo em frases pequenas. E com frases grandes fazes-me ver várias naturezas, são combinações de frases pequenas, mas que podem ser lidas de tantas formas, ai como adoro tudo isto, é tudo tão fugaz e tão puro, como é bom ver a beleza das tuas palavras e ver nelas beleza e poder ir mais longe, mas até nestas coisas simples gostar de ti.

É tudo tão bravo nas tuas palavras, gosto delas mesmo por limar, gosto de as ouvir vezes sem conta, sabes escolher as palavras, mesmo quando não as escolhes. Tens as melhores palavras do universo, as tuas palavras são a chave do universo e eu posso passar a vida toda a abri-lo. É difícil, é mesmo difícil, mas ao mesmo tempo é tão fácil. As tuas palavras são água e a água de hoje é a mesma desde o princípio dos tempos, há o ciclo da água, tu sabes, mas eu dependo da água que é de agora e dependo das tuas palavras que são tuas.

Apostaria que as tuas palavras são conjuntos de átomos e acho que reagem quimicamente com os meus pensamentos. Não sei se é fusão ou fissão, mas acho que há mesmo uma pequena explosão e dessa explosão não resulta uma resposta absoluta, mas relativa - novas palavras. É um processo infinito e isso não me assusta, mas sossega-me. Não te cales. Todas as palavras que disseste já me bastam, uma única palavra tua é suficiente para alimentar a minha vida se ela tivesse de a isso se limitar, tal como uma árvore é suficiente a quem lhe bastar uma árvore. Mas tu és a Amazónia das palavras e eu quero explorar-te toda, porque vejo todas as tuas árvores ao mesmo tempo nas tuas palavras e sinto flores a brotar da terra e cascatas que caem ao longe.

Se a vida se vive a morrer, então que eu viva a morrer explorar-te, Natureza Aparte. E que no final a chave do universo não seja uma resposta, mas a multiplicidade de perguntas que atingi no meu último milésimo de segundo de vida. E que essa infinidade de perguntas só tu sejas a resposta, porque a tua natureza é uma pergunta e as tuas palavras são mistérios.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...