quarta-feira, outubro 8

As luzes do meu quarto - intro


As luzes do meu quarto dizem muito de mim.

Mal amanhece, abro a persiana, a luz do quarto é a luz do dia, para quê ter a luz acesa, quando há sol no mundo e vida fora da janela. Tenho uma janela grande, de correr. É no fundo uma porta, mas que eu nunca abro, está sempre fechada, só serve para se espreitar, eu saio sempre pela porta de casa e ninguém me visita pela porta do quarto. De tarde, as luzes permanecem desligadas. Passo o dia fora, a trabalhar, ninguém acende nem desliga luzes, ninguém está em casa, a casa é todo dia minha, mas a essa hora é como se não fosse de ninguém - ou de toda a gente.

À noite chego. Mal chego, visto o pijama, depois de tomar um banho - às vezes lento, às vezes rápido, conforme o dia tenha corrido e conforme a fome que tenha. À noite estou de persiana corrida. Parece que o quarto fica menos frio se ela estiver corrida até baixo. Sinto-me mais aconchegada, a persiana é a muralha que separa o meu quarto do mundo lá fora. Gosto de me isolar na minha casa.

Gosto de ter as luzes acesas para escrever e para ver amigos, quando eles lá vão, mas de resto tenho-as apagadas. Gosto de ver séries com luzes apagadas, de cantar com luzes apagadas, de pensar com luzes apagadas - e de ter a minha luz interior acesa, o meu maior pedido é que não me ofusque com as de fora e me esqueça dessa de dentro, amén.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...