Os amores de hoje querem-se leves. "Ai que rico amor que é o meu, corre tudo tão bem, fomos feitos um para o outro, ele está sempre lá e dá-me bombons". Esse amor não é rico, é pobre. É um amor fácil, encontrado na zona de conforto e aceite porque A se pode manter nessa mesma zona se namorar com B. É esse o requisito para amar: não custar. Fala-se da chama do amor, mas que chama? Vejo-vos a amarem amores mornos, aliás, arrefecidos, esfriados. Pouco arde o vosso coração, ostentam uma chama francamente pequena. Temem queimar-se, vêm vocês primeiro e o amor depois. Hoje, uma chama meia apagada basta, pouco importa sequer se aquece. Pois eu sopro todas essas chamas desses amores medianos que servem para se estar seguro sem se estar sozinho enquanto ardo, num misto de êxtase e prazer, na chama fervente do amor insano a que me entrego.
O risco e aventura põe-se no resto da vida, mas não no amor, o amor que se lixe, se o amor magoa, não é amor - e isso, digo eu, é a falácia do amor, é o cúmulo do egoísmo, porque o amor de alguém é a única coisa por quem nos deveríamos deixar torturar de sabermos que esse amor é a única coisa no mundo que compensa qualquer dor e que, por ser amor, compensa tudo.
Se o amor revigorante e intenso fosse coca-cola, a marca iria falir nos dias que correm, porque os homens consomem o amor da marca-branca: do amor, importa-lhes menos o sabor do que o seu preço. Mais, se a vida fosse uma pizza, quer-se que o trabalho, os amigos e as viagens sejam o mozarella, o fiambre e o tomate e o namorado seja a base da pizza, a massa simples que se come logo no início, porque é a parte pior, então despacha-se o pão, que bom que lá está, mas que insípido que ele é. Eu gosto de amores com pujança, amores com a chama quente, amores que fervam que me deixem ferver neles, amores que saibam a muito, amores que sejam ananás, camarões e cogumelos num amor só. Amores interessantes, que extenuem, capazes de levar tão acima que o outro não se importe de estar lá em baixo, pois se a vida tem altos e baixos e os baixos dão valor aos altos, que também os tenha o amor e que o amante veja no bom a força para lutar no mau, de tão ótimo que é esse bom e de tão razoáveis que os bons sem mau são. Gosto de me sentir pequena para este amor que sinto, sentir que ele me rasga a pele do peito e que explode fora de mim e gosto disso, é assim que ambiciono amar: dura de roer, como já nenhum amante está para amar. Pois esses que voltem, os que amam para ficar que se imponham. Que atue uma seleção Darwiniana e que ser amante seja a característica que resiste aos obstáculos que a natureza reservou para o homem; que o amor salve os atacados, que os que amam se salvem e acasalem e que os que deles nasçam sejam dotados de amor ainda mais irreverente do que o inicial. Que se juntem os apaixonados e que os esfriados se deixem por aí nos rios que não correm, que seca de pessoas.
Se o amor revigorante e intenso fosse coca-cola, a marca iria falir nos dias que correm, porque os homens consomem o amor da marca-branca: do amor, importa-lhes menos o sabor do que o seu preço. Mais, se a vida fosse uma pizza, quer-se que o trabalho, os amigos e as viagens sejam o mozarella, o fiambre e o tomate e o namorado seja a base da pizza, a massa simples que se come logo no início, porque é a parte pior, então despacha-se o pão, que bom que lá está, mas que insípido que ele é. Eu gosto de amores com pujança, amores com a chama quente, amores que fervam que me deixem ferver neles, amores que saibam a muito, amores que sejam ananás, camarões e cogumelos num amor só. Amores interessantes, que extenuem, capazes de levar tão acima que o outro não se importe de estar lá em baixo, pois se a vida tem altos e baixos e os baixos dão valor aos altos, que também os tenha o amor e que o amante veja no bom a força para lutar no mau, de tão ótimo que é esse bom e de tão razoáveis que os bons sem mau são. Gosto de me sentir pequena para este amor que sinto, sentir que ele me rasga a pele do peito e que explode fora de mim e gosto disso, é assim que ambiciono amar: dura de roer, como já nenhum amante está para amar. Pois esses que voltem, os que amam para ficar que se imponham. Que atue uma seleção Darwiniana e que ser amante seja a característica que resiste aos obstáculos que a natureza reservou para o homem; que o amor salve os atacados, que os que amam se salvem e acasalem e que os que deles nasçam sejam dotados de amor ainda mais irreverente do que o inicial. Que se juntem os apaixonados e que os esfriados se deixem por aí nos rios que não correm, que seca de pessoas.
"Mas como sabes se é o melhor amor do mundo se nãos os experimentaste todos?". Sei que tudo o que preciso, ele tem para dar e tudo o que tenho para dar, ele precisa. É um encaixe perfeito, o que sempre sonhei. Largo tudo. É por ele que vou, é uma caça a esse amor, é o deixar tudo para trás e correr sem medidas, é a vontade não de ter todo esse amor em mim, mas de o ter cá fora e de me deixar a mim mesma fora de mim para me dar ao amor - há que ser do amor.
Quero um amor que me calque, que me atropele e que me pontapeie. Um amor que me atire contra a parede e me pressione, muito tempo, um amor que pareça um suplício e que, de eu saber que é o melhor amor do mundo, me faça continuar dorida e massacrada atrás dele. Um amor que me mate e que sentir que me mata me faça sentir viva. Um amor que de tanta insegurança que tenha seja um amor seguro e que de tanta indefinição se defina a si mesmo. Um amor que me faça lançar-me de liana em liana numa selva, que me deixe atirar de uma cascata abaixo, um amor que vá fora do limite máximo de velocidade e que eu adore tudo isso. Um amor masoquista, com carnificina, porque ele que tenha leveza e ternura, mas que traga mais que isso - e que nesse mais é esteja o orgasmo desse amor. Um amor que não seja santo - ai dele, o amor tem de ser o mais íntimo de uma pessoa, o amor é para pecar. Um amor que me dilate as pupilas. Um amor que me arrepie só de pensar nesse amor, e que sempre que eu pense nele eu o ame mais e mais o queira, um amor que me mate e que de tanto me matar me faça sentir viva, um amor por que valha a pena eu morrer, quero morrer a amar, amar até à morte e amar essa forma de morte.
Suportaria qualquer dor de um amor; só não suportaria a dor da sua ausência.
Suportaria qualquer dor de um amor; só não suportaria a dor da sua ausência.