Sou um pássaro.
A minha mentalidade é a gaiola que me prende
E eu acho que estou solto.
Acho
que não tenho dono - acredito nisso - então quem me tranca?
Sou eu, eu, parte de mim e parte de outrem que também está em mim
Esta
consciência, esta mentalidade retrógrada, esta tradição inquebrável,
Estes elos
Eu acho que estou solto.
Às vezes vejo-me preso, mas ignoro. Finjo que não vejo.
É mais fácil só
chorar e lamentar.
Canto baixo, canto sempre baixo,
Não para que me libertem - porque eu não me libero -,
Mas para não incomodar os Deuses
Com a minha existência insurreta e perspicaz.
E finjo ser sou um pássaro tonto, um pássaro tonto preso
Como todos os outros pássaros tontos presos
Nas suas gaiolas.
*neologismo
*neologismo