terça-feira, dezembro 10

Estações do quotidiano - (i)

Toda a minha vida tudo o que quis foi que a primavera me preenchesse. Toda essa ternura em forma de cor e flores fez-me e faz-me falta a mim, que me tornei massivamente no outono mais monótono de sempre, trono que pesadamente - e tão pouco orgulhosamente - conquistei e continuo, todos os dias, a conquistar. Sou um outono triste e vazio - como nunca tive flores jovens, a minha natureza não envelheceu distinta e sabiamente. Sou um outono deplorável, não um daqueles com folhas laranja de plátanos frondosos deixadas cair artisticamente, quase parecendo pousadas pelos passeios para estalarem ao serem calcadas pela juventude que passa correndo em felicidade... Tenho o mau do outono: apenas o típico banco de tua negro, na berma da estrada de alcatrão. E está desocupado, totalmente ao abandono.

Todos os bancos de rua são para sempre o lugar predileto da literatura, para proceder ao queixume mais doce do que todos os outros e reviver nostaligamente uma vida inteletuzalida.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...