domingo, novembro 17

Falta de limites impostos por nós

Está a faltar pensar antes de falar, esse dom de não se calar o que se sente, e ainda assim dizer somente o necessário, somente o que se sabe que é verdadeiro, somente o que importe e não dê vontade de ignorar. Falta dizê-lo de forma a ser ouvido, falta dizê-lo com sentido de oportunidade, falta dizê-lo como deve ser dito. Falta saber o que dizer. Falta um estudo de marketing à comunicação. Falta a capacidade de sermos dotados de uma liberdade segura, essa liberdade que não sabemos incutir nos objetos e nos sentimentos, capaz de dar um tempo a tudo - porque hoje estamos presos no ciúme e na pressa. Esta falta vem toda de uma falta-mor. Amor equivale a posse - quando se ama, tem-se; se não se tem, não se ama; os livres não amam. O tempo a que nos dedicamos a algo é cada vez menor, porque temos urgência em esgotar as alternativas relevantes. (O tempo não é infinito, mas ao o imaginarmos tão comprimido no agora, esgotamo-lo depressa. E mal.)

Somos as catapultas que nos atiram para os nossos próprios problemas, somos as cordas que nos fecham com eles num saco grande e escuro onde também somos nós que nos enfiamos. Estamos a dar em loucos e o pior de tudo... O pior de tudo é que nós queremos outra coisa que não isso.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...