Na prática, não se classifica como nada. Quem lhe dera ser nada. Quem lhe dera poder desaperceber-se de que é. Quem lhe dera não chegar ser, não precisar de se confundir e de se atrapalhar com toda esta trapalhada de dilemas entre cordeiro e ovelha, a abafar-se em incertezas que os cordeiros-bebés não têm capacidade de perceber e as ovelhas não têm paciência para diluir.
Deixem-no acabar de cometer erros de cordeiro-bebé, esses erros que nunca cometeu por ter pressa a mais em se tornar ovelha. E deixem-no responsabilizar-se por eles, deixem-no arcar com as culpas, com as consequências, com tudo, como se já fosse uma ovelha grande. Permitam-lhe que viva o intenso, o incomunicável, essa emoção que brota de dentro e que não habita nas palavras, nem nas mais bonitas.
Se não deixarem, soltem os lobos.