segunda-feira, outubro 22

Cordeiro

Que cordeiro indefeso. Já não brinca com os cordeiros-bebés que nada têm que ver consigo, mas acha-se de tal maneira forte que faz coisas que só as ovelhas grandes deveriam fazer. Brinca com todas essas coisas que dão luz e que ardem, essas coisas que são como o fogo e quem brinca com o fogo, queima-se. Acaba assim, um cordeirinho indefeso, com queimaduras aqui e acolá, uma vez por outra, por já não ser pequeno nem ainda ser grande.

Na prática, não se classifica como nada. Quem lhe dera ser nada. Quem lhe dera poder desaperceber-se de que é. Quem lhe dera não chegar ser, não precisar de se confundir e de se atrapalhar com toda esta trapalhada de dilemas entre cordeiro e ovelha, a abafar-se em incertezas que os cordeiros-bebés não têm capacidade de perceber e as ovelhas não têm paciência para diluir.

Deixem-no acabar de cometer erros de cordeiro-bebé, esses erros que nunca cometeu por ter pressa a mais em se tornar ovelha. E deixem-no responsabilizar-se por eles, deixem-no arcar com as culpas, com as consequências, com tudo, como se já fosse uma ovelha grande. Permitam-lhe que viva o intenso, o incomunicável, essa emoção que brota de dentro e que não habita nas palavras, nem nas mais bonitas. 

Se não deixarem, soltem os lobos.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...