domingo, dezembro 25

Violino

O solo triste de um violino. 

Estamos presos, Homens, presos. Já não criamos: repetimos. E nada se destaca do vulgar e do costume. Estamos dependentes, viciados, cegos - e eu estou farta. Isto a que chamam de vida não me chega. Quero o quebrar da rotina, quero o desvio, quero a mudança. Quero desesperadamente o quebrar deste ritmo binário entre o ontem e o amanhã - que nem chega a marcar diferença nenhuma senão um hoje sem interesse; quero o abate deste muro de cimento cinzento e triste que impede que o olhar me leve mais longe; quero o desapego do meu próprio corpo, esta prisão, esta jaula. Se nos tiram a capacidade de progredir e nos mantêm estagnados num ponto semi-morto e só pseudo-vivo, que mais somos nós do que os animais? Pois. O violino chora, triste. Vamos a meio da noite do espectáculo e presencia-se mais uma canção lenta, mais um murmurar agudo, como se o violino chorasse algo nosso fora de nós. O violinista desliza o arco devagar e dá sentido a tudo o que digo: como chegamos a este ponto? Eis que me ergo na plateia e grito inebriantemente: Mais rápido, mais vivo. E ele toca. Espantoso, ele sabe tocar depressa e a multidão aplaude, ao rubro. Por que não tinha ele experimentado tocar assim antes? Porque se havia acostumado ao que é brando, ao que é lento, ao que é morto, ao que é rotineiro, ao que é humano.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...