segunda-feira, dezembro 5

Moral da história

A prosa pica-me superficialmente, provocando o incómodo e incitando curiosidade. Cessada a introdução preliminar, à medida que o diálogo avança, como a mais aguçada das agulhas, entramos na história e o nosso mundo já não é fora do livro mas dentro dele. É profundo. Vai mais fundo, gosta-se mais.  Dói mais também, por vezes. Mas esta dor é aquela que é controversa e que leva ao êxtase. É uma dor que não agrada mas que fomenta uma sede nova. Aliciada, quando há uma reviravolta, solto um grito agudo que contenho. Sinto-me tão tonta, iludida pelo autor, mas encantada por me ter iludido, especialmente quando o faz bem.

Gostei, quero mais. De repente, como se o denotativo não fosse suficiente, aspiramos ao alcance da adjectivação, a satisfazermo-nos numa hipérbole bem alicerçada, a ler fluentemente todo e qualquer hipérbato e só paramos quando toda a nossa vida for toda ela tão metafórica que corresponda a uma amplificação alegórica.

Quero o duplo, quero o múltiplo sentido - em quantas várias formas é maravilhoso entender com a máxima clareza o final complexo de uma história.

Tinha uma professora na primária que dizia que todas as histórias deviam terminar com um lacinho. Hoje não tenho um para esta. Há-de ficar este. Não é perfeito, mas é o que é. É imperfeito - que é o que impreterivelmente as coisas são quando não são perfeitas. Aqui está, a segunda volta do lacinho, já mais composto. É assim mesmo que fica, não mexo mais.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...