terça-feira, dezembro 6

(Não há) Nada nesta sala

Dentro desta sala, nada soa a vida. 

Nem o soalho - frio, escuro, pesado - nem o tecto - manchado, humedecido, esbatido. O tapete é velho. Se não é, apresenta-se assim e não se esforça para dar um ar minimamente decente. Mesmo os objectos vêem-se amontoados, mal tratados. Destaco um espelho, baço e quebrado, onde nem me reconheço de tão insípida me retratar e uma moldura vazia, como se fosse isso o que se via da vida: um nada redondo que ficou por preencher. 


Há pouco na sala, ou por outra, o muito que há sabe a pouco. Olho para fora e nem isso consigo. A janela mal limpa a nada aponta senão a um céu de azul insípido e gasto; parece apenas servir para realçar a irrelevância da cor apática das pétalas murchas das flores de um vaso de barro antigo, como se a natureza as tivesse pintado por engano. 

Está morta, esta sala está morta. Nem eu trago vida à sala: é como se morresse ao entrar.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...