sexta-feira, dezembro 2

Aí vamos

Lembro-me de quando parti do Alentejo.

Nunca foi boa em despedidas, talvez por nunca ter sentido que me tenha, de facto, encontrado com alguém. Mas quando me despedi estava em guerra. A viver a batalha de forças onde o meu passado disputava a conquista do meu futuro e ia ganhando; o presente não mostrava qualquer resistência.

Todas as dúvidas que havia criado tornavam-se cada vez notórias como poeira que vai caindo gradualmente e só depois, se possa ver com clareza. E foi assim que a dada altura, a meio dessa guerra se tornou nítido, com um desenrolar fugaz, como uma luz que incide sobre rugas feias desconhecidas ao longe.

Todas as perguntas a que fugi mostravam-se sedentas de resposta naquele deserto tórrido. Elas repetiam-se, alguém as perguntava com os olhos e elas entravam em mim, ecoavam por mim adentro, eu sem nada cá dentro, olha para o que fiz de mim. Um buraco que não teve tempo dei para se cobrir devidamente, tudo o que está cá dentro está à toa, e não sei se não está oco, sem nada, cheio de nada.

E então parti, foi assim que me despedi. Com dúvidas e uma não resposta. Naquele deserto o presente não tinha forças, mas com a esperança de que talvez à beira mar, a poder molhar-se para se refrescar e a sonhar com entrar num barco e conhecer o mundo, aí talvez o presente se una ao futuro e o passado se ofereça a eles, sem resistência.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...