O meu ego diz que anda descontrolado. E anda mesmo. Feito num turbilhão, toma o controlo de tudo o que digo e faço - ou, por outra, toma o descontrolo.
Estou nua. Estou despida de tudo o que não sou eu, de todas as roupas que a sociedade me impõe, de toda a maquilhagem com que esses outros - que não são eu e não têm este ego descontrolado ao controlo - me pintam. Mas o ego continua aqui. Como qualquer ego, ele tanto me eleva, lá acima, onde moram os anjos, ora me manda lá abaixo, bem abaixo, onde as mulheres são gordas.
O ego dá-me espelhos e ensina-me a ver. Vejo-me, enquanto ele exponencia as falhas que detalhadamente me explica. Logo eu, que não me mentalizo por fora mas por dentro, tenho um ego insensível que não se controla e não se segura - e estou descontrolada e insegura. Critica tudo, tudo. O que está muito mal e o que está pouco mal - hoje nada está bem.
O meu ego é especialmente imaturo. Infelizmente, não é vegetariano. Aliás, tem até andado demasiado dependente do exterior e já que ao abstracto corpo nenhum responde, manda-me dar-lhe de comer. Ando num turbilhão de trabalhos e de guerras para o alimentar. Fora de mim. Dentro de mim. E tendo a perdê-las todas.