O Homem é um corpo insaciável movido pela sede de mais, sede essa que ocupa demasiada vontade.
Parece que o Homem é, ele mesmo, composto por algo que ainda não é: algo que tem de vir a ser. É isso que o Homem faz, o que o Homem quer, ou pelo menos procura; o que o Homem (in)conscientemente precisa: mais.
Lá vai ele, mexe em tudo aquilo que é e enche todo o ser de uma falta de algo, falta que terá, então, que ser resolvida, porque deixar a Natureza exercer-se por si mesma parece cada vez menos racional. Seria ver gatos a comer ratos e a andar à bulha com cães, sem nunca tentarem mudar nada por serem gatos e ratos e cães e não Homens.
E o Homem tem de meter o nariz entre os focinhos do gato do rato e do cão e dizer, com a sua mania de tudo o que é ser apenas insuficiente, «não acham que isso não chega?». E às vezes outras vezes, chega mesmo a meter o nariz entre os narizes de outros Homens.