segunda-feira, dezembro 12

Às vezes ninguém percebe nada

O gato vivia feliz enrolado no lençol; o lençol era feliz por poder abraçar o gatinho o dia todo. Nenhum deles sabia o nome da almofada e ambos adoravam manchas de café meio-quente. Com tantas coisas em comum decidiram casar-se. Mas como é que o gato iria pôr a aliança ao lençol? O lençol poderia traí-lo! A relação ainda nem tinha começado e já se via em maus lençóis. Felizmente, o gato trazia consigo o seu supernovelo e enquanto voava-barra-gatinhava no quarto, sobre a caminha, fez um truque qualquer. Gostou, a dona.

Mas não percebeu nada. É desleixada, coitada. O gato e o lençol tão mal e ela nem preocupada. Ora, o gatito fofito, sem reclamar, fez a vénia indulgentemente, tirou o chapéu que não tinha e lambeu os bigodes enquanto a multidão inexistente enchia o chapéu imaginário com moedas de três euros. Depois despejou esse dinheiro no lixo: por que havia de precisar dele?

Voltando à história: com o novelo fez maravilhosos nós de escuteiro no lençol e acabou por formar uma espécie de bolsinha, pequenina, onde colocou a aliança a salvo do mundo. Depois sorriu e disse "não te esqueças de mim". E o lençol nunca mais esqueceu, nem depois do gato ter chamado uma ambulância, porque os bombeiros são lentos e o curso de Suporte Básico de Vida do lençol não era aplicável a animais mortos.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...