domingo, dezembro 4

Nada a perder

Sinto-me escrava de uma vontade submetida aos prazeres mundanos de uma sociedade corrupta. Retirem-me a emoção e a razão - se não as uso de que servem? Perturbam e incomodam. Fervem, ardentemente, como se firmes gritassem todos os meus pecados. E eu, que sete mil vezes pequei, por sete mil maus motivos, sete mil vezes me condeno, por sete mil vezes não me ter controlado.

Carrego a consciência nos olhos por lapso, por já não a conseguir conter no calcanhar. Engulo em seco as virtudes que perdi, e deixo que morram algures entre a acção mecânica do esófago e a acção enzimática da bílis. Antes que tenham tempo de passar para o sangue, levo dois dedos à boca, como se as chamasse. Vomito-as: recuso-me a tê-las no sangue, a criticarem-me e ofenderem-me por me deixar controlar pelo meu corpo tonto, se em vez de me ajudarem só me repreendem.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...