Foi ontem que tudo foi grande de mais de repente, e eu, pequenina, tentei suportar tudo com a pestana.
Comi as bolachas todas até só restarem as migalhas pequeninas e sem sabor. Escrevi com a caneta azul da tinta bonita, até a tinta não resistir a não escrever. Falei, pensei e senti, até não conseguir falar, nem pensar, nem sentir. Esgotei tudo. Com o nosso amor também foi assim. Não deu, estava sem sabor, totalmente gasto, sem qualquer emoção em si contida. Não fizemos um esforço para nos entendermos - limitámo-nos a aguentar-nos. Conta, claro que conta para alguma coisa, quanto mais não seja para desanuvio de consciência, mas não é digno de mérito, não chega sequer a ser amor, é apenas uma prova de paciência. Parecia bom, mas parecer não é ser. Não é amor: é a falácia do amor.
Somos complicados, cada um complica para o seu lado e à sua maneira e potenciamos as complicações um do outro. Em vez de nos completarmos, multiplicamo-nos. E a separação, a distância, a ausência total assusta, como um doente a quem lhe cortam a medicação. A cura do falso amor parece ser absurdamente ridícula. "Não doutor, isso não, tudo menos isso". Não quero voltar a tomar todos os dias o comprimido, mas ao menos que o possa manter no bolso do lado esquerdo da camisa branca, junto ao coração, porque mesmo não estando lá dentro, no meu coração pequenino e que bate depressa de mais, está junto a ele, como se continuasse a tomar conta e como se ainda fosse a tempo de cumprir as promessas, ainda que, se tudo correr bem, não precise de o tomar - basta-me poder tê-lo por perto.
Comi as bolachas todas até só restarem as migalhas pequeninas e sem sabor. Escrevi com a caneta azul da tinta bonita, até a tinta não resistir a não escrever. Falei, pensei e senti, até não conseguir falar, nem pensar, nem sentir. Esgotei tudo. Com o nosso amor também foi assim. Não deu, estava sem sabor, totalmente gasto, sem qualquer emoção em si contida. Não fizemos um esforço para nos entendermos - limitámo-nos a aguentar-nos. Conta, claro que conta para alguma coisa, quanto mais não seja para desanuvio de consciência, mas não é digno de mérito, não chega sequer a ser amor, é apenas uma prova de paciência. Parecia bom, mas parecer não é ser. Não é amor: é a falácia do amor.
Somos complicados, cada um complica para o seu lado e à sua maneira e potenciamos as complicações um do outro. Em vez de nos completarmos, multiplicamo-nos. E a separação, a distância, a ausência total assusta, como um doente a quem lhe cortam a medicação. A cura do falso amor parece ser absurdamente ridícula. "Não doutor, isso não, tudo menos isso". Não quero voltar a tomar todos os dias o comprimido, mas ao menos que o possa manter no bolso do lado esquerdo da camisa branca, junto ao coração, porque mesmo não estando lá dentro, no meu coração pequenino e que bate depressa de mais, está junto a ele, como se continuasse a tomar conta e como se ainda fosse a tempo de cumprir as promessas, ainda que, se tudo correr bem, não precise de o tomar - basta-me poder tê-lo por perto.