Se cai ao chão e parte,
Se por algum motivo quebra,
É difícil - quase impossível - voltar a ter o copo.
Mesmo se encontrados todos os pedaços irregulares,
Se apanhados do chão todos os ínfimos bocadinhos
(Ia dizer bocadinhos de copo, mas podem já não o ser se o não refizermos)
Teria de ser reconstuído com exatamente a mesma sequência de pedaços.
E mesmo se por sorte ou esforço encontrarmos essa sequência
(A contar com os grãos microscópicos de vidro em pó espalhados pelos azulejos e nas suas frinchas)
Não basta sobrepô-los -
Pedaços sobrepostos não geram um copo consistente.
Tivera sido mais fácil comprar um copo novo
E jogar fora os estilhaços.
Às vezes é mais eficiente e é mesmo do que precisamos. Para as visitas.
Mas se gostávamos mesmo daquele copo,
Talvez tenhamos de juntar os estilhaços e pensar no que fazer com eles.
O que não se pode fazer, contudo, é amontoá-los irrefletidamente e guardá-los no armário
Como se fossem um copo.
Copos desfazem se em pedaços de copos,
Mas com pedaços de copos não se fazem copos;
Às vezes fazem coisas que parecem copos
Mas não se iluda, minha querida: não são copos.
Mas com pedaços de copos não se fazem copos;
Às vezes fazem coisas que parecem copos
Mas não se iluda, minha querida: não são copos.
Sem comentários:
Enviar um comentário