Estou agora no autocarro em direção ao Porto. Parei pelo caminho em Fátima, mas não estive lá. Isto é, efetivamente o autocarro parou no terminal rodoviário, o meu corpo fisicamente encontrava-se na região, mas na prática não sinto que tenha estado lá. Não faz sentido. Estive lá como estive em todas as outras terras por onde efemeramente passei sem propósito devido ao mero acaso de ser imperativo passar em sítios que se encontram entre uma partida e um destino. Não me demorei. Já estive mais em Fátima sem lá estar pelos terços benzidos que me traziam as minhas tias e avós do que desta vez - em que me vi a não estar lá estando lá não como se olha a um empecilho que nos separa do objetivo.
E apercebi-me entretanto de que mais de que uma demonstração de impaciência e de mau-humor esta definição de estar ou não estar metafísica que funciona com lugares, resulta também com acontecimentos e com pessoas.