Mãos frias,
coração quente. Tenho as mãos assim quando o vejo, cuido logo de as esconder
atrás das costas e de as ir esfregando aos poucos para que se lhe tocar ele não
repare como gelam. Parecem dois blocos de gelo a derreter quando os olhos dele
apontam aos meus e me pedem, me imploram, me fazem quase sucumbir a derreter
nele quando me sorri. Que homem é esse que gela as mãos das mulheres? Tímida perante a presença insistente de um receio de transparecer um coração quente,
entre jogos de palavras que eram trémulas e frias como as minhas mãos, recorri
a bases e pós compactos para disfarçar as minhas tremendamente ruborizadas
maçãs do rosto.
Contudo, um dia desmaquilhei-me sem me aperceber que ele me vigiava. Estremeci, coradíssima, e ele veio abraçar-me. Qual não foi o meu espanto quando ao me vir amparar senti na minha cintura as suas mãos que também gelavam.
Contudo, um dia desmaquilhei-me sem me aperceber que ele me vigiava. Estremeci, coradíssima, e ele veio abraçar-me. Qual não foi o meu espanto quando ao me vir amparar senti na minha cintura as suas mãos que também gelavam.