quinta-feira, dezembro 12

Estado crítico (ii)

A depositar esperança em algo, depositá-la-ia no amor. Contrariar este desenrolar grave (que de grave nada tem, grave mesmo é o facto de ser frequentemente agravado pela nossa levianidade) requer intensidade, esse lado intenso que só uma paixão tem, um patamar misto de segurança e loucura, que nos une e nos distingue. Só o amor nos pode distanciar do apego desmesurado ao material ao relembrar que criamos a Economia para maximizar a felicidade do Homem e que ser feliz não devia ser o part-time cada vez mais longuínquo por não termos tempo para ser felizes enquanto pagamos pelo incumprimento de outros, outros cegos que de amor nada tinham, senão uma obcessão desaustinada pelo ter, essa cegueira que levava a mais dinheiro e a menos amor: quanto mais se tem, mais se quer, mas menos se é. 

Pior do que não conseguirmos ver isso, seria tentarmos ser como eles. Só o amor pode ser essa campainha suave que nos acorda instantanemente sem nos sobressaltar, nos mata a sede no deserto para onde nos enviamos, nos aquece no inverno que concebemos para nosso tormento, nos pode fazer qualquer magia que só o sentimento consegue e jamais material algum pode ter. 
Aposto no amor. Nos namorados, nos jovens apaixonados que querem correr o mundo e têm mil ideias para serem felizes. Pedem-se heróis, em tempo de crise. E os apaixonados são-no: Nunca há crise para os que amam, nada pode trazê-los abaixo da satisfação plena de um coração quente, tudo o que dizem não são palavras escuras e obsoletas, pelo contrário... Ouvir um apaixonado é ouvir uma história de amor, é ouvir um final feliz, é ficar apaixonado também. De todas as pragas do mundo, o amor é a maior. Não há melhor nem proximamente semelhante, por que teimamos em ignorar isso? Amemos e seremos salvos; neguemos o amor, obstinados pelo material e morreremos pobres, tão pobres que tudo o que teremos será dinheiro.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...