Voltar é ilusão. Querer voltar é mera necessidade de recuperar algo irrecuperável, porque se tem vontade de retomar o passado e parece ser esse o elo que falta para que o futuro resulte. Mas não é, não é esse o elo, não é deste passado que se faz o futuro. Certamente pelo menos não é de certeza desta necessidade humana de retomar o passado da forma mais fácil e mais inútil e mais cobarde.
Quer o futuro, a verdade é que é isso o que quer. Está confusa, mas jura - e sem mentir - que acha que sente que o quer contigo. Acha bem, porque de facto o sente. Mas sente mal. Não sabe compreender o que sente, e graças a Deus, porque talvez o tempo lhe dê o discernimento para andar direito, nestas linhas tortas que tem desenhado com lápis mal aguçados. Que ache o que está bem, que entenda o que acha quando achar o que deve ser achado, o fundamental hoje é achar-se.
Perdeu-se no presente, não sabe de onde parte, não sabe para onde vai. Pedem-lhe que retroceda, como se o passado fosse bom - se o fosse, por que não funcionaria o presente? Insistem. 'Volta!' - dizem-lhe. 'Voltar? Voltar para onde se não sei de onde vim?'. Vai, mas não é para trás o caminho.