Tinha o pássaro na mão, meu pai. Tinha-o. Bem sei que devia tê-lo trazido para ti, para te orgulhar, para te agradecer; mas não o fiz. Desculpa pai, não o fiz por mal. Espelhei-me na gula e vi-a maior e mais forte e mais segura e mais todas essas coisas que eu queria ser. E ao invejar sê-lo, pai, perdi-me por querer guardar nos meus dois bolsos rotos os dois que voavam e nem sequer - ai, como me envergonho ao confessar-te isto! - tentei voar: ao invés, fi-los descerem ao meu nível baixo de pessoa com cabeça no ar que assume que tem os pés no chão. Ai meu pai! Eu achava que precisava e deixei-me. Raios partam a condição humana - literalmente: só assim me descondicionaria. Pai, sei que errei, mas... trago as mãos vazias e o coração humilde e não quero pai, não quero mesmo, deixar de poder ser tua filha.
(Muito) Fraquinha
Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...
-
E de repente, à minha volta eram todos poemas; os pais, fazedores de tempo onde ele escasseia, a levarem os filhos no carro, Cuidado, nã...
-
Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...
-
People get use to smells. When we spend too much time in a room, we gradually stop to realize how it stinks. (Sometimes, it's our own r...