sexta-feira, maio 29

Poemas sem saber

E de repente, à minha volta eram todos poemas;

os pais, fazedores de tempo onde ele escasseia,
a levarem os filhos no carro,
Cuidado, não fales com estranhos;

os filhos, com as saudades a sairem do corpo.
a visitarem os avós,
Que abraço maravilhoso, querida avó;

os namorados, suados de nervos,
a dizerem às namoradas,
   primeiro com os olhos e depois com os lábios,
Estás tão bonita.

E a natureza a acontecer
simultaneamente, isoladamente, em conjunto.

Via em tudo poesia,
Percebi que eram todos, os que eu vi e os que eu não vi.

Foi por descrever o que via
que o leitor lê agora este poema
que eu escrevi,
mas que foram eles que, ao fazerem o que faziam, o fizeram.

Todos fazem poemas: alguns só não os escrevem.

(Este poema vem da forma como eu vejo o mundo
   que é às vezes diferente da das pessoas que eu vi e me veem
   e às vezes igual à das pessoas que não vi e não me veem
   - há também pessoas que eu vejo e não me veem e vice-versa.

Os poemas podem ser formas de ver o mundo
   decorrem de formas de o ver
(mesmo quando são deliberamente ficção,
tem de ter sido neste mundo que o autor a imaginou)
   também o leitor terá a sua forma de ver
   e quando ler este poema talvez, nas palavras que escolhi,
   as nossas visões se encontrem
      ou divirjam
que "Bravo!" seria qualquer um dos casos:
de cada vez que um leitor lê um poema, ele cresce.)

1 comentário:

  1. À tua volta, tudo eram poemas, porque tu és o poema, Rita.
    O poema que nasce, do incrível movimento das ondas que se expressa nos teus olhos.
    Os teus olhos, que são um oceano maravilhoso, repleto de búzios, daqueles que parecem ser incríveis e despertam uma curiosidade descontrolada.
    Entre Vale(s) e mar, surges tu, tu que és poesia.

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