segunda-feira, setembro 10

(À) Espera / Espero / Desespero

O silêncio ruge e impera. 

Não digo, não falo, não grito. Só penso. 

Penso nesse copo partido, despedaçado que não sei por que não calco. Ele que estava cheio, ele que ficou vazio, ele que caiu da mesa de cabeceira e que agora varro.

Penso nesse lume ardente que ferve num canto, ao qual não sei por que não jogo o meu corpo. Espírito, manda para lá o meu corpo inútil e feio. Espírito, que chamas inútil e feio ao meu corpo, manda para lá o concreto, este concreto sujo e poluído e rompido e gasto e tudo isso. 

Espírito não. Cancela tudo. Ah, ainda bem que não ias fazer nada. Ai pobre de mim que lido com esta aflição grande que vivo num silêncio prolongado e doloroso enquanto não digo, não falo e não grito: só penso. E pensar mata-me.

(Muito) Fraquinha

Adiei por muito tempo escrever, Porque bastava-me pensar para saber Que sairía algo fraquinho. De cada vez que adiava Mais certezas me dava ...